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Luiz Antonio
Gasparetto

Luiz Antonio Gasparetto
(São Paulo, 16 de agosto de 1949) é
um psicólogo, médium psicopictográfico e apresentador de
televisão brasileiro.
Filho de imigrantes Italianos, tornou-se conhecido
internacionalmente como um médium que incorporou artistas
plásticos no final da década de 1970 e a década de 1980.
Essa faculdade manifestou-se pela primeira vez aos treze
anos de idade. Durante as suas apresentações, pintava
diferentes quadros com os pés e com as mãos, assinados por
entidades espirituais que na Terra foram pintores célebres,
como por exemplo Renoir, Rembrandt, Toulouse-Lautrec,
Modigliani, Picasso, Manet e outros.
É filho da também médium, psicóloga e escritora Zíbia
Gasparetto e atualmente apresenta o programa de televisão
Encontro Marcado nas noites brasileiras na Rede TV.
O processo de formação
Médium de formação espírita "tradicional",Luiz Antonio
Gasparetto redefiniu o curso de sua trajetória religiosa nos
anos de 1980. O marco inicial desse processo remonta à
década anterior, período em que realizou uma série de
viagens ao exterior, Europa e Estados Unidos especialmente
com o objetivo de conhecer melhor as doutrinas espirituais.
Estas lhe propiciaram dupla oportunidade: o contato com
idéias e práticas de outros sistemas religiosos e a
possibilidade de observação de novos valores e formas de se
praticar a mediunidade.
De volta ao Brasil, ele passou a manifestar publicamente
suas críticas à prática da doutrina no país. O moralismo
espírita constituía o principal alvo: sexo e dinheiro,
segundo ele, constituem um tabu no Brasil, o que ele atribui
ao peso da tradição Católica no país, bem como à origem
ortodoxa dos primeiros médiuns. Segundo ele, "em sociedades
liberais como os Estados Unidos, por exemplo, as coisas são
mais abertas e existe a possibilidade de se entender e
discutir abertamente essa etapa da vida que no nosso pais se
vê escondida pela falsa moralidade",
"Quando viajo para o estrangeiro e converso com os médiuns,
os espíritos conversam abertamente de sexo e seus problemas.
Aqui não. No Brasil nenhum espírito toca nesse assunto
[risos] Aqui só dizem: vai tomar passe, vai tomar passe!"
(Luiz A. Gasparetto)
Donde conclui:
"Apesar de os espíritos terem tentado passar uma mensagem
libertadora, aqui os médiuns eram católicos e a linguagem
que usaram era própria de sua estrutura mental. Passou o que
foi possível. O resto ficou cheio das normas Catolicas" ...
(O assunto é... Espiritismo n. 21, s/d, p. 43).
Não apenas o aspecto moral, mas também suas práticas revelam
uma postura conservadora: o movimento espírita, afirma
Gasparetto, "é muito antiquado [...] não sai daquela
caminhada, sempre igual: não muda o jeito do passe, não muda
(a forma de) tratamento, não se conhece nada de energia
[...]" (Planeta, 1990, p. 11). Críticas da mesma ordem são
dirigidas às obras de Allan Kardec, as quais, segundo ele,
são datadas: "o importante é sua postura. Quando digo que
sou kardecista é por causa da pesquisa, do questionamento,
da comparação, da busca e do método utilizado por Kardec
[...] Agora, o conteúdo é coisa de época [...]" (Planeta,
1990 p. 11).
Mudanças de caminho
O descontentamento com a "tradição" levou-o, afinal, a
conjugar dois caminhos trilhados a princípio de forma
independente: a carreira profissional e o exercício da
atividade mediúnica. Formado em psicologia e tendo
freqüentado alguns cursos em Esalen (EUA), um dos centros
mais famosos de irradiação das chamadas "terapias
alternativas", ele acabou redefinindo o rumo de sua
carreira:
Ao retornar ao Brasil, fazendo uso já dessa aprendizagem,a
sua vida mudou radicalmente: de um simples psicólogo de
bairro, tornou-se professor de metafísica, ministrando
cursos para pessoas de vários países (Gasparetto, s/d, p. 9)
Um novo começo
A criação do Espaço Vida e Consciência, nos anos de 1980,
marca essa nova etapa. Distanciando-se da prática clínica
convencional, suas atividades passaram a integrar o chamado
circuito "neo-esotérico": promoção de cursos, palestras e
workshops que tratam de questões relativas à
espiritualidade, à saúde e a problemas que envolvem as
relações cotidianas - afetivas, familiares e de trabalho.
Por mais de dez anos essa atividade foi mantida como
paralela àquela desenvolvida no "centro espírita", dirigido
por sua família. Gradativamente, porém, as atividades deste
último também começaram a ser modificadas. O distanciamento
da "tradição" foi sinalizado de início pela mudança de sua
denominação para Centro de Desenvolvimento Espiritual "Os
Caminheiros", mais adequada às práticas terapêuticas que
passou a abrigar, que fogem ao repertório espírita, como o
"passe com luzes" (prática que associa o passe espírita à
cromoterapia) e sessões de "visualização criativa". Oriundas
do universo das "terapias alternativas", essas técnicas
introduzem na prática espírita a abordagem corporal de
questões psicológicas.
O comportamento
De modo geral, as suas atividades se desenvolvem em clima de
espetáculo. Combinando técnicas de terapia com encenação,
improvisação retórica e referências que remetem a uma
espiritualidade difusa, seus cursos, palestras e shows não
deixam de ter feições próprias. Engraçado, histriônico,
Gasparetto é dono de uma extraordinária habilidade de
comunicação e de sedução. Propositadamente, fala errado. Usa
palavrões. Faz trejeitos, recorre ao sotaque
Ítalo-paulistano para construir "tipos", em geral
personagens do universo cotidiano identificados com o seu
público.
Agressivo, por vezes sarcástico, cria situações de
interpelação direta da platéia jogando com a ironia, a
surpresa, o medo do ridículo. O ambiente, porém, é
descontraído. Ri-se muito durante as suas palestras, cursos
e shows à medida que se constroem, em geral por meio de
diálogos imaginários, os estereótipos que retratam o público
que o freqüenta: a "dona de casa", os "filhos", o "marido",
a "sogra", a "vizinha", o "chefe", a "colega de trabalho"
etc.
Novas atividades
Novidades também foram introduzidas no campo "dos estudos":
além das atividades tradicionais - ensino da doutrina e
escola de "desenvolvimento mediúnico" -, passou-se a
promover a atualização dos staff de voluntários por meio da
promoção de palestras semanais. Realizadas por profissionais
convidados, estas tratavam de temas que remetem ao universo
"neo-esotérico": ufologia, astrologia, tarô, cristais etc. À
clientela, por sua vez, também passaram a ser oferecidos
cursos rápidos, em média de quatro semanas, voltados aos
temas da auto-ajuda.
Alguns anos mais tarde essas mudanças foram complementadas
pela transferência formal da direção do "centro" para Luiz
Gasparetto. Ritualmente, o processo foi sinalizado pela
mudança da tutela "da casa", cujo dirigente-espiritual
passou a ser "Calunga", que se diz um preto-velho. Figura
que remete ao universo da umbanda, reza a norma ser este um
personagem excluído do panteão espírita, já que são oriundos
do meio "erudito" aqueles que figuram, de modo geral, como
"[[guias espirituais]" - pintores e escritores brasileiros e
estrangeiros e, dentre os profissionais liberais,
especialmente médicos.
A "mistura" do ideário e de práticas da auto-ajuda com uma
personagem que tem por referência o universo mítico da
umbanda resulta numa alternativa imprevista. Porém, não
implica neste caso a adesão a prescrições rituais e
doutrinárias desse sistema religioso. Embora sua
"manifestação" seja marcada pela performance corporal e o
linguajar típico desse personagem, "Calunga" constitui, na
verdade, uma figura metafórica. Sua condição de outsider do
panteão espírita serve à ritualização do afastamento da
"tradição" espírita, autorizando, dessa forma, a
incorporação de idéias e de práticas de outros sistemas
simbólicos, seculares (como é o caso da "auto-ajuda") e/ou
religiosos.
O rompimento
O passo seguinte, envolvendo o fechamento do centro em 1995,
marca o definitivo rompimento da família Gasparetto com a
moral espírita, no que se refere ao exercício da mediunidade
como prática de doação. Desde meados dos anos de 1980 os
livros produzidos por Zíbia e Luiz Gasparetto passaram a ser
editados por uma editora comercial, de propriedade da
família, transferindo-se assim a sua renda das atividades
filantrópicas para a apropriação pessoal dos direitos
autorais.
Uma década mais tarde, o mesmo se observa com relação à
atuação de "Calunga": uma vez fechado o centro "Os
Caminheiros", este passou a protagonizar cursos e palestras
no Espaço Vida e Consciência, que como as demais atividades
ali desenvolvidas se destinam a grandes platéias e são
pagos. Consolida-se, assim, a passagem dessa corrente do
Espiritismo da ética cristã aos valores cristalizados pela
ética individualista da doutrina da prosperidade.
Fase atual
A Rede TV concedeu-lhe um programa de auditório aonde
apresenta um jogo de ideias e confrontação. No programa,
decide qual será o rumo e a solução a ser aplicada em cada
caso de problema espiritual ou emocional, com base nas
respostas que obtém de cada um dos seus entrevistados.
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